Porque os programadores precisam virar noites para entregar no prazo

Quantas vezes te pediram para entregar um JOB para amanhã de manhã? Aí você olha o relógio e observa que há exatamente 10 minutos é o seu horário de ir embora. Logo no dia que você precisa dormir um pouco para se recompor de uma semana tensa.

Mas por que isso acontece?
Por que sempre recebemos todo o material para trabalhar um dia antes do prazo?

O cliente entra em contato com a área de atendimento da agência, super acelerado, porque o prazo está curto e solicita uma criação. O diretor de arte estava num brain storm com sua equipe em um outro projeto, enquanto o profissional de atendimento liga e chama atenção no messenger. Isso, obviamente acaba de “estragar” o JOB que estavam discutindo, e no próprio telefone, o D.A. decide o que será feito nessa nova peça.

Então é aquela correria para entregar uma criação de qualidade e eficiência para satisfazer o cliente fiel à agência.

O D.A. liga para o profissional de arquitetura de informação, que liga para o programador(o mesmo já elimina diversas pirações do D.A. que jamais podem ser programadas neste curto prazo). Enfim, a criação envia uma peça para aprovação para o cliente.

O cliente, após ligar para o atendimento insistentemente recebe por email a peça que deverá ser aprovada antes da integração. No corpo do email, é estipulado um prazo(levando em consideração os JOBs que estão em andamento Hoje).

Somente um dia antes do prazo, o cliente retorna a ligação(aproximadamente uns 20 dias depois do email enviado por nós que deveria ser aprovado na hora. Afinal o cliente estava aflito) e informa que foi aprovado e devemos entregar amanhã, pois a campanha estará rolando depois de amanhã.

E agora, você programador, que está fechando todos os softwares, desligando a máquina e respondendo seus últimos emails do dia, recebe um alerta no messenger do seu chefe dizendo:
– Lembra daquele JOB que era pra amanhã? Então, o cliente aprovou!

(antes de responder, você olha para o relógio e percebe que faltam 3 minutos para ir embora e escreve)

– Eu to indo embora!

(aí seu chefe, que é também seu parceiro te implora para quebrar mais essa)

Não sei se vocês já passaram alguma vez por isso. Mas comigo já rolou muitas vezes!

E eu pergunto de quem é culpa? É do cliente? da agência? ou do atendimento?
Na minha opinião, o atendimento poderia informar ao cliente que não entregaríamos o JOB porque estamos apertados…mas daí o cliente liga pra outra agência e entrega no prazo.

E o que acontece? Perdemos mais um cliente para outra agência?

Difícil, né?

11 ideias sobre “Porque os programadores precisam virar noites para entregar no prazo

  1. Com certeza a culpa desta situação é dividida em parcelas para cada um dos lados.
    O cliente pelo seu descaso seria o maior culpado se visto pelo ângulo da agência.
    Mas a agência não quer perder o cliente, como você mesmo citou no final da postagem, sendo assim uma grande parcela da culpa desta situação seria da agência, justamente por não ter uma pessoa específica para manter contato com o cliente assim que se passasse 2 dias de espera da aprovação.

    Agência: "… Ah, mas não é nossa parte fazer isso, temos muito oque fazer…"

    Bom… como eu disse, partindo do princípio que não se quer perder o cliente para outra agência, deve-se pensar desta forma…
    Lembrar o cliente de que ele tem que aprovar tal amostra para que o trabaho flua como tem que ser.

    Essa atenção ao cliente inclusive faz uma diferença enorme no que diz respeito a manter ou perder clientes.
    Dependendo da demanda deste cliente valeria a pena ir até o clietne caso nenhum contato via telefone ou email fosse possível, e assim reforçar a necessidade de uma posição do cliente em relação à aprovação ou não.

    Ainda assim, na impossibilidade de se manter contato com o cliente de qualquer dos meios hoje existentes… a culpa recai sobre a agência novamente por não ter cadastrado esse cliente/futuro da forma correta, coletando dados extras para contato em casso extremos como esse.

    Sabemos que a culpa em muitos casos é do cliente, mas a perda de cliente é sempre culpa do contratado, por falha iguais as que citei e/ou por livre espontânea vontade de perder um cliente.

    Eu mesmo já descartei alguns por livre espontânea vontade.

    Abraços

    .
    My recent post Instalando PHP 5.3.x VC9 + APACHE + MySQL no Windows 7

    • Ótimos argumentos.

      Como citei no final do artigo, é um assunto bem complicado. Às vezes o atendimento não consegue argumentar, as vezes o cliente tem algumas políticas de aprovação que demora muito, diversos casos.

      Por isso mesmo, às vezes vale a pena até descartar o cliente. Quando o projeto deixa de ser lucrativo e passa a ser prejuízo.

      Abs

  2. A solução para isto é simples, basta atrelar o prazo de entrega a n dias a partir da aprovação do trabalho. O problema é que jamais pensam no programador.

    Eu não quero nem saber mando o cliente as favas e chuto até o emprego se for o caso pq para quem é bom nunca falta trabalho e quem resolve uma parada dessas em um dia é bom.

  3. Pra mim, isso é problema de todos, mas principalmente de um gerente de projetos. Se o cliente demora pra aprovar, liga pra ele o quanto antes pra cobrar a posição, senão ficará inviável realizar o job…

    Mas acontece. É por essas que preciso rever minha posição profissional como programador apenas. Como dizia meu professor: "Quanto mais longe do teclado você está, mais você ganha"! 🙂

  4. Aliás, o @Alexis mandou muito nos seus comentários. Era exatamente essa discussão que eu queria passar. E também, queria que todas agências pensassem como você!

    Abs

  5. Concordo plenamente que a desorganização afeta como um todo.
    E quem me dera se todas as agências tivessem alguém como você na gerência…rsrs

    Claro que eu estava “exagerando” ao informar que encontrariam outra agência que fizesse todo o trabalho. Ou até mesmo um freela que dê conta do recado.
    As vezes, conseguem esse tipo e sobra pra nós corrigirmos todo o projeto pela pressa e imperfeição do sistema!

  6. "Na minha opinião, o atendimento poderia informar ao cliente que não entregaríamos o JOB porque estamos apertados…mas daí o cliente liga pra outra agência e entrega no prazo."

    Vale acrescentar que isso não é tão simples assim. Não é nem um pouco simples encontrar uma agência disponível às 5 da tarde de uma sexta-feira (ou véspera de feriado) para entregar um trabalho segunda-feira de manhã.

    Sabe o que acontece? Ninguém, no setor de serviços, inclui no cálculo a variável "Hora extra". É como se esse direito legal não existisse. Na prática, não existe mesmo porque o funcionário do setor de serviços não entra na Justiça do Trabalho.

    Na primeira vez que o atendimento fizer gracinha com um cliente e a agência tomar uma ação indenizatória trabalhista que a faça perder uma grana PRETA, eles vão passar a cobrar todas as horas extras para trabalhos em cima da hora. Na primeira vez que o cliente vir que precisa PAGAR pelas horas extras contratadas da agência, eles vão se organizar para pedir trabalhos com prazos mais realista.

    Idealismo? Não. É a realidade da INDÚSTRIA. Nenhuma indústria é louca de botar funcionários para trabalhar um minuto depois da hora sem pagá-lo por isso. Os sindicatos caem na pele e esfolam a empresa que fizer isso.

    Logicamente, nenhuma indústria promete prazos especiais sem cobrar os custos extras representados por esse prazo, a começar pelos custos trabalhistas.

    Essas agências agem como se não existissem custos extras ao trabalhar de madrugada ou em fins de semana. Elas pagam aos funcionários por 40 horas semanais. Deveriam vender apenas 40 de trabalho semanal para os clientes. Se vendem 80 horas de trabalho pelo preço de 40, na verdade são anti-empresas, porque estão remando contra a maré da lógica econômica.

    Só conseguem sobreviver, na verdade, porque burlam a lei trabalhista descaradamente e criam uma cultura de medos irracionais que levam o trabalhador a não reivindicar seus direitos legais.

  7. Em uma palavra, o motivo se chama d-e-s-o-r-g-a-n-i-z-a-ç-ã-o.

    Desorganização do cliente, que não sabe quais são suas necessidades antes das cinco da tarde. Aí, quer porque quer que essas necessidades sejam atendidas na manhã seguinte.

    Desorganização do atendimento ao cliente, que não sabe estimular o cliente a detectar suas necessidades em tempo hábil e não sabe negociar prazos realistas.

    Desorganização da agência como um todo, com métodos e processos administrativos que emperram o início do andamento dos trabalhos.

    Toda essa desorganização só ocorre, também, porque os desorganizados sabem que o programador (ou o designer, ou o redator, ou qualquer outro profissional criativo) será sensível à chantagem, à ameaça de desemprego ("se você não fizer, tem um monte de gente querendo fazer") e vai se submeter a varar a noite (ou o fim de semana, ou o feriado inteiro) trabalhando enquanto cliente, atendimento e demais áreas da empresa estarão curtindo uma boa noite de sono ou pegando um bronze na praia.

    Eu não trabalho mais desse jeito há muitos anos. Centralizo tanto o atendimento quanto a criação. Todas as necessidades dos clientes são previamente acertadas e negociadas, especialmente os prazos. Se eu precisar fazer hora extra, esteja certo de que o cliente vai me pagar muito bem por isso. Se não quiser pagar, bom, tem um monte de profissionais morrendo de fome por aí que topam qualquer trabalho por qualquer preço…

    Incrivelmente, meus clientes passaram a se organizar melhor e nunca mais precisei fazer hora extra. Uma pena, porque um dindim a mais às vezes faz falta, rsrs…

    Grande abraço, ótimo blog (está nos meus feeds!)

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